"Não se pode nem se deve confundir amor com paixão.
A paixão, ainda que agradável e importante, é momentânea, é apenas um aspecto do amor.
A paixão é uma centelha; não a transforme em fogo.
O amor é uma chama continuamente alimentada.
A paixão é passageira, tende a acabar.
O amor é duradouro e perene.
Na paixão o outro torna-se uma obsessão, sem o qual a vida parece acabar.
No amor o outro está sempre presente, mesmo que se encontre fisicamente distante.
Na paixão perde-se a dimensão da realidade, que é alterada, exaltada.
No amor a realidade torna-se parte integrante do próprio relacionamento, fortifica-o, torna-o seguro e sólido.
A paixão leva à dependência.
O amor mantém a autonomia.
Na paixão o êxtase só acontece em relação ao companheiro.
No amor a alegria é uma constante.
Na paixão iludimo-nos, achando que estamos crescendo.
No amor o crescimento constitui a própria essência do relacionamento.
Na paixão é exaltada a parte neurótica que todos nós possuimos, alguns mais, outros menos.
No amor ela é reduzida, combatida, eliminada.
Na paixão não se admite o limite.
No amor ele é procurado, reconhecido, aceito.
Na paixão a razão fica inativa.
No amor ela está sempre presente como um pano de fundo.
A paixão é exclusivista.
O amor é generoso.
A paixão é posse.
O amor é dom.
A paixão é um sentimento que leva a simbiose, à fusão.
O amor é um relacionamento que permite contínuas escolhas.
A paixão se ressente com as dúvidas, com os questionamentos.
O amor se fortifica com eles.
A paixão consiste, essencialmente, em sensações.
O amor, além delas, inclui a dimensão espiritual.
A paixão é desejo.
O amor é desejo, sustentado pela vontade, pela perseverança.
A paixão quer tudo e imediatamente.
O amor privilegia a paciência.
A paixão, por sua natureza, é superficial.
O amor jamais pode ser superficial.
A paixão se insere na lógica do consumo.
O amor, na lógica da consciência responsável.
O sofrimento mata a paixão.
O amor o supõe.
Na paixão as duas partes se anulam.
No amor, conjugam as forças, e as multiplicam.
É fácil viver uma paixão, mas ela esvazia o ser humano.
Viver o amor é difícil, mas ele plenifica."
VALÉRIO ALBISETTI
É por isso que se diz:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,
não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;
não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;
tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, pensava como menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.
Agora, pois, permanecem estes três, a fé, a esperança, o amor; mas o maior destes é o amor.
I Carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo 13:1-13.
domingo, 20 de setembro de 2009
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