domingo, 27 de setembro de 2009

O encontro


Ela espera por ele
Quietinha a noite toda
Todos a admiram
É bonita, às vezes faceira
Fica lá em total solidão
Tão bonita, em algumas noites tão fogosa
Seu brilho encanta
Alguns têm até inveja
Outros vão até a  janela
Só para vê-la passar
E ela cintila no céu,
Nunca opaca,
Nela existe a juventude e a graça
Ela é feminina, termina com a
E na dura espera ela vê
Os amantes, velhos e infantes
As saias das moças
As mãos bobas dos rapazes
O amor a rodopiar
Continua a espera
Ela vê a violência
O terror da noite
As lágrimas, que sob açoites
Rostos juvenis vêm molhar
Ela vê a jovem que chora
A porta do bar que fecha
E o bebum que ainda ficou lá
Ela vê o medo, a tristeza,
a solidão
Ela vê a malícia do ladrão
Ela vê as risadas, os gritos,
os barulhos, latidos,
as sirenes, grunhidos
E de repente ela olha
Já tão cansada ela vê
É ele que se aproxima
Vem sorrateiro, pungente
Como sempre é
Cheio de si, de orgulho
Dono graça, do mundo
Vem de mansinho fazendo carinho
Esquentando o ar
Ela sente o calor
Porque é assim todo amor
Quente, senão não vale a dor de esperar
E ele se aproxima
Sabe que não pode tocá-la
Mas sabe contemplá-la
Pois o encanto pode acabar
Trocam apenas olhares
O calor de suas brasas
Roça a frieza da bela
E ela sai, vai embora
Como sempre fez
Até o outro dia
Quando mais uma vez
Ela vai lhe esperar
Bonita e prateada
No céu a brilhar
A linda lua a espera do seu amado sol
Em qual eclipse irão se encontrar?”















domingo, 20 de setembro de 2009

E eu que achava que sabia o que era amor

"Não se pode nem se deve confundir amor com paixão.


A paixão, ainda que agradável e importante, é momentânea, é apenas um aspecto do amor.


A paixão é uma centelha; não a transforme em fogo.


O amor é uma chama continuamente alimentada.


A paixão é passageira, tende a acabar.


O amor é duradouro e perene.


Na paixão o outro torna-se uma obsessão, sem o qual a vida parece acabar.


No amor o outro está sempre presente, mesmo que se encontre fisicamente distante.


Na paixão perde-se a dimensão da realidade, que é alterada, exaltada.


No amor a realidade torna-se parte integrante do próprio relacionamento, fortifica-o, torna-o seguro e sólido.


A paixão leva à dependência.


O amor mantém a autonomia.


Na paixão o êxtase só acontece em relação ao companheiro.


No amor a alegria é uma constante.


Na paixão iludimo-nos, achando que estamos crescendo.


No amor o crescimento constitui a própria essência do relacionamento.


Na paixão é exaltada a parte neurótica que todos nós possuimos, alguns mais, outros menos.


No amor ela é reduzida, combatida, eliminada.


Na paixão não se admite o limite.


No amor ele é procurado, reconhecido, aceito.


Na paixão a razão fica inativa.


No amor ela está sempre presente como um pano de fundo.


A paixão é exclusivista.


O amor é generoso.


A paixão é posse.


O amor é dom.


A paixão é um sentimento que leva a simbiose, à fusão.


O amor é um relacionamento que permite contínuas escolhas.


A paixão se ressente com as dúvidas, com os questionamentos.


O amor se fortifica com eles.


A paixão consiste, essencialmente, em sensações.


O amor, além delas, inclui a dimensão espiritual.


A paixão é desejo.


O amor é desejo, sustentado pela vontade, pela perseverança.


A paixão quer tudo e imediatamente.


O amor privilegia a paciência.


A paixão, por sua natureza, é superficial.


O amor jamais pode ser superficial.


A paixão se insere na lógica do consumo.


O amor, na lógica da consciência responsável.


O sofrimento mata a paixão.


O amor o supõe.


Na paixão as duas partes se anulam.


No amor, conjugam as forças, e as multiplicam.


É fácil viver uma paixão, mas ela esvazia o ser humano.


Viver o amor é difícil, mas ele plenifica."


VALÉRIO ALBISETTI




É por isso que se diz:





"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.


E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.


E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.


O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,


não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;


não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;


tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.


O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;


porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;


mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.


Quando eu era menino, pensava como menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.


Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.


Agora, pois, permanecem estes três, a fé, a esperança, o amor; mas o maior destes é o amor.


I Carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo 13:1-13.