Ela espera por ele
Quietinha a noite toda
Todos a admiram
É bonita, às vezes faceira
Fica lá em total solidão
Tão bonita, em algumas noites tão fogosa
Seu brilho encanta
Alguns têm até inveja
Outros vão até a janela
Só para vê-la passar
E ela cintila no céu,
Nunca opaca,
Nela existe a juventude e a graça
Ela é feminina, termina com a
E na dura espera ela vê
Os amantes, velhos e infantes
As saias das moças
As mãos bobas dos rapazes
O amor a rodopiar
Continua a espera
Ela vê a violência
O terror da noite
As lágrimas, que sob açoites
Rostos juvenis vêm molhar
Ela vê a jovem que chora
A porta do bar que fecha
E o bebum que ainda ficou lá
Ela vê o medo, a tristeza,
a solidão
Ela vê a malícia do ladrão
Ela vê as risadas, os gritos,
os barulhos, latidos,
as sirenes, grunhidos
E de repente ela olha
Já tão cansada ela vê
É ele que se aproxima
Vem sorrateiro, pungente
Como sempre é
Cheio de si, de orgulho
Dono graça, do mundo
Vem de mansinho fazendo carinho
Esquentando o ar
Ela sente o calor
Porque é assim todo amor
Quente, senão não vale a dor de esperar
E ele se aproxima
Sabe que não pode tocá-la
Mas sabe contemplá-la
Pois o encanto pode acabar
Trocam apenas olhares
O calor de suas brasas
Roça a frieza da bela
E ela sai, vai embora
Como sempre fez
Até o outro dia
Quando mais uma vez
Ela vai lhe esperar
Bonita e prateada
No céu a brilhar
A linda lua a espera do seu amado sol
Em qual eclipse irão se encontrar?”
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