sábado, 20 de junho de 2009

Pra quê definir amor?

Amor não tem cor, não tem forma, não tem palavra que defina, é um "bem querer" que se acostuma. É um pensamento certo, insistente, latente, aqui dentro da cachola da gente, que se joga dum lado pro outro, que não descansa enquanto não vê a pessoa amada, e que às vezes dá raiva, raiva de querer tanto bem, raiva de ver o sorriso e não saber de onde vem, que o sorriso é na verdade a falta de alguém. Amor às vezes é cego, é burro, é covarde, é teimoso, é retardado mesmo, míope, e na miopia se acha o mais esquecido, o mais sofrido, o mais desprezado. Mas amor só quer tá junto e ter certeza, ele vai ali, dá uma volta, procurando, sabendo onde está, se mordendo pra não ceder, pra não se entregar, até que ele vai preenchendo, querendo ficar, arrumando mil desculpas, e vai preenchendo seu tempo, seu espaço, seu pensamento. E às vezes conta vantagem, perde a linha, fala bobagem, e acha que tá abafando, ta se enrolando todo, ta complicando o fácil, ta só complicando... meu Deus, é doido o amor. Sabe por que? Porque o amor se arruma todo, olha no espelho e diz: ah se ela me visse assim ó, porque o amor diz assim pra mim: ah quem me dera vê-lo sentado ali ó, bem ali naquele sofá. Porque o amor já não esconde o sorriso, fica sem vergonha, fica assim metido, todo convencido, chama a gente de burro, só porque a gente diz que não entende. Aí a gente compreende que burro a gente pode até ser, mas besta não dá pra ficar sendo não. Mas amor é assim mesmo, às vezes até mente, vai pra lá amor doido amor. E amor quer ser dono, dono do corpo, da alma, dono do olhar da gente. Se a gente vira de lado, ta lá o amor, fiscalizando, se metendo, investigando, e aí você pergunta o que será que foi dessa vez, se faz ou fala besteira ta lá ele acusando, censurando, metido amor, deixa eu viver minha vida, deixa eu falar alto, dar minhas risadas, falar minhas palavras erradas, escrevê-las também. Deixa eu me virar, procurar por mim mesmo, sair dando meus pulos. Porque no final o amor só quer é o carinho do seu bem. Eu também só quero o seu bem, e quem dera o seu bem fosse eu também.